quarta-feira, 1 de junho de 2016

Personagens

De reflexão em reflexão, quebramos. Estilhaçamos antigas verdades e substituímos por outras. Na verdade, é um constante ciclo de autoaperfeiçoamento que nunca cessa. E ás vezes é difícil de encarar aquela velha crença de quem éramos e dizer 'adeus'.

Já fui muitas, na tentativa de ser eu mesma. Me vi de diversas maneiras e tentei levar estes vários eus juntos de mim na trajetória da vida. É cansativo, exaure, trava. Acaba sendo uma bola de ferro, como tantas outras que já estão sendo carregadas no bolso da consciência. Várias inúteis, sim, mas estamos tão acostumados com o peso que nem parecem tão incômodas assim... tudo o que pode ser desapegado, precisa ir pra fora das nossas vidas {amém}.

Então, aqui estou, desfazendo-me de personificações de mim mesma. Desnudando-me das facetas virtuais vestidas para me encontrar, para ser, para adquirir voz. Fui várias de mim, inclusive como Carol Moralles. Soava bonito, espanholesco, caliente e peguei pra mim. Sempre fui eu a escrever, a interagir, a rabiscar virtualidades. Entretanto, havia ainda uma parte de fora - uma bagagem, história, identidade - escondida em um canto. Queria sair e não se achava digna de ter ação no mundo. Não, Carol Moralles é melhor. Ela sabe dizer o que não digo.

No fim, nem uma nem outra. Ficamos nos silêncio, em reflexão. Uma pausa pra se encontrar no dia-a-dia da vida aqui fora. Afinal, quem sou eu? O que estou negando de mim mesma? Pseudônimos são normais, afinal, mas até que ponto eles tem mais voz do que a própria persona por detrás dele? Até que ponto eu estava disposta a me separar, a ser duas - e acabar não sendo ninguém?

Fiz amigos como Carol Moralles, que aprecio muito. Acabei me distanciando deles também ao escolher essa pausa, sendo a versão oficial de mim mesma. Até dos que conhecem essa 'versatilidade' do meu eu acabaram afastados de mim por consequência. 

Sim, sou duas, três, um milhão. Quantas cabeças terei afinal? Posso ser milhares dentro de minha imaginação, nos textos, desenhos, artes, manualidades - mas, agora, sou apenas uma em identidade: Carol Godoy.

Verdade seja dita, é um alívio finalmente ser 'uma' só!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Suposições

De suposições em suposições perdemos tempo. Gastamos energia juntando peças que sequer existem e assim, causamos um dano por vezes irreversível: pensamentos, palavras, ações que tomam corpo por uma ilusão da mente. Essa maquininha de arquitetar e equacionar, que busca nas mais ínfimas impressões cotidianas matéria-prima para analisar e construir teias de significado. Ah, calar a mente é a mais urgente e nobre tarefa - e talvez a mais difícil, principalmente quando tantas informações nos distraem ao mesmo tempo.

Enquanto as peças imaginárias são traçadas e montadas em nossas cabeças, uma infinidade de acontecimentos se põe em paralelo. Deixamos de caminhar, de escolher e de viver - por alguns minutos {ou muitos} em um devaneio quase insano de conjecturas. Puzzle de 5.000 peças pra quê? O cérebro é tão ardilosamente engenhoso, tão sagaz em suas profanações da consciência e tão exaustivo... consome ação sem mover um dedo nosso.

 E nessas subliminaridades, se desvencilhando de hábitos novos e ressurgindo nos velhos padrões equivocados, o nosso computador-sempre-a-bordo faz misérias com as listas mais belas de propostas ao novo ano. Planejar ações faz parte de uma esperança sempre renovada de um novo horizonte, mais belo e alegre, mais realizador e estimulante - mas o ponto primordial é aquietar a mente. 

É preciso romper tecidos empoeirados de crenças mofadas e sobrescrever a cartilha desestimulante do 'é difícil-complicado-impossível' que tanto escutamos desde pequenos com a sentença 'pode ser fácil-alegre-transformador'. A nossa mente quer nos proteger, esse é o papel dela, e cabe a nós deixar claro o nosso anseio pelo novo e também pelo desafio. O medo, ao invés de ser o general da mente que constrói barricadas, seguirá conosco - porém na retaguarda, como parte do processo. Vai dar o tom certo para evitar as impulsividades daqueles cheios de tempo gasto com as insalubridades passadas de geração em geração. 

Aproveitemos as boas lições deixadas, a bagagem cheia de história, os conselhos daqueles que seguiram seus próprios corações sem se arrependerem de serem completamente autênticos e - porque não? Serenos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Desenvolver-se e voltar a si


Quando crianças somos esponjas que absorvem tudo à nossa volta, desmedidamente. Tudo adquire importância, dado que não conseguimos escolher e nem dar as devidas dimensões a cada acontecimento, percepção, sentimento. Assim como as coisas vêm, elas ficam. E se quedam ali de qualquer jeito como se fossem brinquedos jogados dentro de um armário, acumulados e empilhados sem categoria ou classificação. Não há ordem, só há uns por cima dos outros. Tudo o que vivenciamos fica gravado de uma forma peculiar, a nossa forma de absorver as coisas – e cada um tem a sua.

Depois, adolescentes, temos a urgência de quem quer tudo pro agora (se for pra ontem melhor ainda) e apesar de haver um certo assentamento daquilo que acumulamos no passado ainda não conseguimos dar as medidas exatas por estarmos nesse momento do exagero de tudo. A fase é de seguir em frente, mesmo com esse incômodo causado pela bagunça chacoalhando dentro de nós, para juntar mais experiências. Fazemos reflexões com aquilo que temos disponível, à mão, mais em cima. Metemos a mão e puxamos algo para servir de argumento ou de armamento (contra o quê mesmo tínhamos de nos defender?).

Ao chegarmos à idade adulta achamos que estamos crescidos, inteiros – pessoas feitas. O grande engano é pensar que algo já está pronto, há muito a se fazer: na verdade nada foi feito. Há uma mistura de objetos a serem ordenados no nosso sótão e fingimos não saber. Queremos que os outros deem jeito em algo somente para os nossos olhos e nossas mãos. Precisamos entrar em contato com essa bagagem mista e confusa para transformá-la em parte de nós mesmos, mas para isso cada coisa precisa adquirir o seu exato valor. Possuímos cacarecos que consideramos ocupar um grande espaço e ao olhar de perto, e com calma, percebemos ter na verdade alguns míseros centímetros. Outros estão camuflados e escondidos debaixo de tapetes, se fingindo de desimportantes quando deveriam ser fruto de observação cuidadosa. Aí sim é hora de mergulhar e compreender, encarar os fantasmas e vê-los transformando-se em bichos de pelúcia empoeirados – quando crianças não tínhamos como percebê-los de alguma outra maneira.

Passo-a-passo reorganizamos, reclassificamos e jogamos fora tudo o que não serve para absolutamente nada, só entulha e atrapalha. Reassumimos o controle sobre o importante e o desnecessário e podemos abrir mão de culpas inúteis – tanto nossas quanto de outrem. Só assim, dispostos a fuçar nessa quinquilharia é possível se encontrar e ser feliz. Mas isso ninguém nos diz – que é fácil e é só querer, está disponível, é possível. Nos estimulam a seguir em frente mancos, estropiados, entulhados por dentro dizendo ser normal se sentir desconfortável. E essa náusea, esse cansaço, esse vazio, esse desconforto – é o quê? Não é nada: vai trabalhar, namorar, casar, ter filhos, comprar casa e carro, consumir coisas, comer, transar, beber, fumar, viajar, falar outro idioma, conhecer pessoas, fazer exercício que passa. Passa?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A caminhada

     Enquanto trafegamos pelos caminhos da vida, encontramos diversas formas de percorrê-los. Tentamos mudar de veículo pois achamos que o problema de não chegarmos a lugar algum é a potência desse motor. Trocamos de carro e, a cada vez, percebemos que não temos muito sucesso com isso. Então mudamos as pessoas junto de nós, devem ser elas a causar estes tumultos limitando a nossa busca pelo amanhã da felicidade... engano. Uma pessoa depois da outra, várias opiniões, desejos, sentimentos, crenças e modos de agir completamente diversos. Mesmo assim estamos ainda fora da zona de alegrias desejadas, o nosso conjunto de sensações indescritíveis. 
         Toda vez nos frustramos, uma depois da outra, repetidamente - até que nos damos conta da busca equivocada, dos problemas causados por um erro de interpretação. Passamos correndo para o amanhã sempre distante e esquecemos de aproveitar esse exato momento, transbordante de possibilidades de ser feliz. Não são os olhos, mas o olhar. Não é o veículo, é a maneira de conduzi-lo. Não são as pessoas, e sim como interagimos com elas. Não é o local, mas se estamos inteiros nele. Não é o acúmulo de coisas, e sim a forma como nos utilizamos disso.
         Caminhamos para o fim sem aproveitar o meio e levando o antes como uma bola de chumbo, pesada e melancólica. Olhos cheios de esperança com as novas circunstâncias e perdidos do foco do agora: o mais importante. Quem seremos amanhã? Ainda um agrupamento de moléculas. Ainda um tumulto de sensações, sentimentos, ânsias. Ainda completamente falíveis. Ainda com arrependimentos, mágoas e medos.
        Vai fazer diferença acordar para este aqui que não é nenhum outro lugar, nenhum outro momento, nenhuma outra realidade. Estar presente dentro do próprio corpo faz valer a pena cada obstáculo {temporário} que se põe entre os nossos pés. Não importam as crenças, importa viver.
          Aqueles que deixam de viver a própria vida apenas se esqueceram de deitar no túmulo.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Congelar o momento

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Meu depois

    Quero uma história contada de trás para a frente. Nessa trama, descobrir os caminhos reversos de escolhas que ainda nem fiz. Entre os detalhes, perceber os movimentos transitórios {talvez intransigentes, da vida} se acercando de minha zona de conforto ilusória e pacífica. Ver as aspas de sentidos ainda inacabados, de termos e situações concretas nesse futuro-passado-a-limpo.
  Preciso saber o final, para nesse entremeio me jogar. O tempo passa, sórdido e debochado entre os meus dias e me deixa sempre vagando no espaço de escolhas imperfeitas das infinitas possibilidades. Se o fim me olhar nos olhos quero compreender a vastidão dos seus porquês, intrínsecos, de um mirar longo e suspenso. 
   Me deixem ver depois da curva, através dessa janela virtuosa das respostas sábias adquiridas pela maturidade da caminhada. Prometo seguir o trajeto sem a pausa, dúvida ou medo. Assumo aqui o compromisso de fluir entre a marcha dos que preferem o não-saber e finjo ignorar o já-escrito a esperar por mim no amanhã. Entretanto, uma espiada ao menos - por favor!
   Sempre precisei de certezas, por mais falíveis que elas sejam: bem sei dos 'n' fatores impressos no DNA de cada ínfima chance de rearranjo dos acontecimentos. Há pessoas envolvidas no tramado das situações e essa teia é minuciosa em imprevistos difíceis de serem manuseados, principalmente pelos bisturis lógicos com os quais temos mania de esquartejar tudo e todos ao nosso redor. Admito a minha pretensão de possuir o controle, como se todos os dados estivessem disponíveis ao processamento e cruzamento das informações, momento a momento. Apesar disso, tropeço nos sinais despojados aqui e ali que me permitem reduzir o custo da energia gasta, desbravando os mistérios insolúveis do depois.
    Porém, imploro à misericórdia alheia um pouco de paciência: minha falibilidade humana me tira do eixo fixo e me põe em conduta pendular, a pesar os prós e contras de cada passo. Eu apresso, mas confesso, preciso divagar entre os murmúrios daquilo que aprendi com o passado e considerar até o mais improvável átomo para conseguir andar novamente.

domingo, 9 de setembro de 2012

À luz de velas

Eu não exibo a minha vida publicamente, porque ela não é um show. Não é, nem de longe, entretenimento alheio. Sou feita de carne e osso, sangro e sofro. Tenho feridas, não cicatrizadas, na alma. Caminho, corro, ás vezes tropeço e busco nisso tudo um sentido para ser cada vez melhor. Se parassem para me conhecer de verdade veriam que sou tragicamente humana e falha, mas com uma imensa vontade de fazer só o que é certo. Desistam do palco, e do show. Eu apaguei a luz, não há holofote... está tudo à luz de velas. Só na intimidade vão saber aquilo que palpita entre as minhas verdades.